domingo, 26 de abril de 2026

O USO DE AGROTÓXICOS E A RELAÇÃO COM A SAÚDE ÚNICA.

 


A Saúde Única abrange a saúde humana, animal e ambiental. Relacionar os prejuízos causados pelo uso excessivo de agrotóxicos evidencia como essas substâncias afetam diretamente essas três dimensões. 


 Impactos na saúde humana: Com o intuito de aumentar a produtividade na agricultura de exportação e manter o controle de pragas, o uso de agrotóxicos cresce de forma alarmante a cada ano. Embora contribua para o crescimento econômico do agronegócio, esses produtos contaminam alimentos e se associam ao aumento de doenças na população, como câncer, distúrbios hormonais e doenças neurológicas, renais, hepáticas e respiratórias. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são registradas cerca de 20 mil mortes por ano devido ao uso de agrotóxicos, e parte dos produtos utilizados no Brasil apresenta potencial cancerígeno. (INCA). 



Impactos na saúde animal: Em relação à saúde animal, os prejuízos persistem: os agrotóxicos afetam animais domésticos e a fauna silvestre, podendo causar intoxicação aguda (inclusive letal), alterações reprodutivas e perda de espécies.

Impactos ambientais:  Os impactos ambientais agravam o problema, com contaminação do solo, da água e de lençóis freáticos. Com o objetivo de manter a grande produção, o uso desses produtos tóxicos pode gerar desequilíbrios nas dimensões humana, animal e ambiental, alimentando um ciclo de problemas (ciclo vicioso). As políticas públicas voltadas à redução do uso de agrotóxicos incluem incentivos à produção orgânica, medidas de controle e fiscalização. Contudo, tais iniciativas podem se mostrar insuficientes diante de mecanismos que favorecem a manutenção da alta produtividade agrícola. Diante do exposto, os dados apresentados sustentam a necessidade de enfrentar a dependência de agrotóxicos. Ainda assim, a redução significativa desse uso permanece um desafio, considerando os interesses econômicos associados ao agronegócio e à exportação.

 



O que sustenta o uso de agrotóxicos?
  No livro Agrotóxicos no Brasil: um guia para ação em defesa da vida, Flávia Londres afirma que, ao longo dos anos, o Brasil criou mais isenções fiscais para potencializar o uso de produtos químicos do que incentivos para a sua redução. Em 2026, mantêm-se regras de isenção para preservar a competitividade do agronegócio e evitar o aumento dos preços dos alimentos. Esses benefícios tendem a elevar o consumo e podem violar o direito ao meio ambiente equilibrado e à saúde pública. 

 Por que é difícil enfrentar? 
 Por esses motivos, não é tarefa fácil enfrentar esse cenário que degrada a Saúde Única, diante de incentivos que facilitam a circulação de produtos tóxicos. Os incentivos fiscais ao uso de agrotóxicos no Brasil incluem, entre outros, a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a redução da base de cálculo do ICMS em operações específicas, conforme normas federais e estaduais. 

Políticas públicas: Buscam reduzir os impactos e promover transição para modelos mais sustentáveis.
  • PRONARA (Decreto nº 12.538/2025): estrutura o foco na transição agroecológica, no monitoramento de resíduos de agrotóxicos na água e nos alimentos, além de estimular a produção e o uso de bioinsumos. 

  •   Comitê Gestor Interministerial (instituído em setembro de 2025): define ações prioritárias para 2026–2027, envolvendo ministérios como Meio Ambiente, Saúde, Desenvolvimento Agrário e Agricultura. 

  •   Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026: destinou R$ 89 bilhões, com linhas de crédito específicas para apoiar a agroecologia, quintais produtivos e a substituição de agrotóxicos por alternativas biológicas. 

  • Ações prioritárias (2026): em março de 2026, foram definidas ações intersetoriais, incluindo a retirada gradual de agrotóxicos ultraperigosos do mercado e a regulação baseada na Lei de Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024). 



 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Todos os elementos do planeta estão interligados, o que torna a sociedade responsável por fiscalizar, cobrar e preservar o meio ambiente e tudo o que nele está inserido. Muitas vezes, essas questões são ignoradas por se considerar que não competem ao indivíduo. Entretanto, mesmo reconhecendo o papel das instituições nacionais, é necessário manter-se informado e buscar meios legais para exigir processos eficazes de redução dos danos à saúde humana, animal e ambiental. Enquanto persistirem a omissão social e o consumo de produtos contaminados por agrotóxicos e transgênicos, a tendência é de aumento da produção. Embora a mudança de consumo pareça pequena diante das demandas de exportação, o incentivo e a aquisição de produtos orgânicos promovem saúde, sustentabilidade e qualidade de vida, alinhando-se aos princípios da Saúde Única.

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