segunda-feira, 8 de junho de 2026

A INVENÇÃO DO NORDESTE.


Quando a gente fala “Nordeste”, parece que estamos falando de algo que sempre existiu: um território com cultura própria, sotaques marcantes, comidas típicas, um jeito de ser. Mas, segundo o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, essa imagem tão conhecida não nasceu sozinha. Ela foi inventada, construída ao longo do tempo por interesses políticos, econômicos e culturais. Só começou a existir no início do século XX, especialmente a partir da década de 1920. Mas você sabe porque o historiador Durval chamou de invenção? Pois bem, continua aqui e você saberá uma pouco sobre esse assunto. 

Livro: A invenção do Nordeste e outras artes.

Sinceramente, para mim foi uma grande descoberta, como nordestina, já sofri muitos preconceitos, mais nunca soube de fato como tudo isso começou. Éee meu povo! o assunto é babado mesmo, e vou te contar como fofoca.😆😎

Você não sabe da maior. O tal “Nordeste” que a gente conhece hoje? Pois é… não nasceu pronto, não. Segundo o professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior, isso tudo foi montado, tipo aquelas histórias que o povo inventa e depois todo mundo repete como se fosse verdade absoluta.

E claro: teve gente por trás disso. Sempre tem.

O Brasil estava naquela vibe de “vamos organizar esse país que tá uma bagunça”. Aí começaram a dividir regiões, criar identidades, dar nome pras coisas.

E foi aí que alguém disse:

“Hum… e se a gente juntar esses estados aqui e chamar de Nordeste?”

Pronto. Nasceu o rótulo. 🙈😩

Mas segura que piora.

Criaram uma imagem do Nordeste como se fosse uma coisa só: seca, sofrimento, povo sofrido, sertão, cangaço… aquele pacote completo que você já conhece.

E sabe por quê? Porque era útil.

Útil pra quem? Para as elites açucareira, com um grande interesse em manter a escravidão, o controle e o medo da evolução industrial chegar e mudar o sistema cômodo e lucrativo que eles tinha através dos abusos, da violência, gerando alienação nos negros e pobres e mostrando ao mundo que o Nordeste é "cultura raiz".


Casa-Grande &Senzala


Foi ninguém menos que Gilberto Freyre. Sim, ele mesmo, o autor de Casa-Grande & Senzala. O homem tinha uma queda por romantizar o passado, o patriarcado, a fazenda, o açúcar, o “Nordeste raiz”.

Ele ajudou a montar aquela imagem de um Nordeste tradicional, quase de novela de época.

Tipo assim: “Olha como esse povo é autêntico, simples, puro…”

E o Brasil comprou a ideia.

Não quero aqui tirar o mérito da contribuição histórica que Gilberto freire trouxe para Brasil, mas baseado nos estudos do professor e historiador Durval, surgiram a partir daí estereótipos que perseguem os nordestinos até os dias atuais, como por exemplo: "Povo atrasado", "Sofrido", "Ignorante ou sem estudo", "Retirante faminto", quer mais? "Preguiçoso", "Cangaceiro". Já chega não é?! 

Esse Nordeste, cheio de estereótipos, precisa ser dissolvido, e essa desconstrução começa por nós!



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